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quarta-feira, agosto 10

Cineclube Luz, Câmera, Ação! com o filme Segredos e Mentiras

Mais uma edição do Cineclube Luz, Câmera, Ação!, desta vez com o filme Segredos e Mentiras.

Hortense Cumberbatch uma mulher negra que foi abandonada quando criança, sendo adotada por uma família. Quando sua mãe adotiva morre, ela decide partir em busca de sua mãe biológica. Só que sua mãe é branca e a teve quando era uma adolescente rebelde, algo que sua atual família não sabia.

Quinta, 11 de agosto, 18 horas
Entrada franca


terça-feira, agosto 2

Cineclube Luz, Câmera, Ação! com o filme A História de Tiger Woods

Clique na imagem para ampliar

terça-feira, julho 26

Cineclube com o filme Uma Escola Muito Louca


Nesta quinta acontecerá mais uma edição do cineclube Luz, Câmera, Ação! com o filme Uma Escola Muito Louca.

Quinta, 28 de julho, às 18 horas
Centro Cultural Ação da Cidadania

Entrada franca

sexta-feira, julho 15

Cineclube Luz, Câmera, Ação!

Toda quinta, no Centro Cultural Ação da Cidadania, será exibido um filme com temática racial. O objetivo é informar e instrumentalizar a população negra e não negra brasileira na temática e ampliar a discussão das relações raciais na sociedade globalizada, onde negros vem sendo excluídos do direito constitucional de cidadania plena, conseqüentemente discriminada do acesso aos bens e costumes culturais, educacionais, do trabalho e da saúde, de forma desigual, ficando, vista de regra, marginalizada nas políticas públicas nas três esferas de governo.

Considerando ainda a carência da oferta de atividades, e da não existência de equipamentos culturais, públicos ou privados, acessíveis à população local, nesta região, nos propomos a oferecer, inicialmente, a exibição de filmes de temática negra, sem a cobrança de ingresso para o público participante.

Veja abaixo as datas de exibição. Sempre às 18 horas.

28/07 - Uma escola muito louca
04/08 - A história de Tiger Woods
11/08 - Segredos e mentiras
18/08 - O massacre de Rosewood
25/08 - A ilha dos escravos
01/09 - O sol tornará a brilhar
08/09 - A cor da fúria
15/09 - Um grito de liberdade
22/09 – Jornada pela liberdade
29/09 – Mississipi em choque
06/10 - Queimada
20/10 - A cor do amor
27/10 – Prova de fogo
03/11 – Meu nome é Rádio
10/11 – Treino para a vida
17/11 – Bopha! A flor da pele
24/11 – Tempo de matar
01/12 – A busca pela justiça
08/12 – O sol é para todos
15/12 – Ponto de decisão

segunda-feira, julho 11

Cineclube Luz, Câmera, Ação! com o filme Na Época do Ragtime

Atenção para alterações na data e hora do cineclube:

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sexta-feira, outubro 1

Cineclube Morro da Providência e Sarau Providencial

Esta edição do Cineclube Morro da Providência tem apoio do Festival do Rio. Será exibido Xuxa em o Mistério de Feiurinha.

Sarau Providencial

Segue mais um relato do coordenador do Centro Cultural da Ação da Cidadania João Guerreiro sobre o Sarau Providencial, realizado para crianças do Morro da Providência. As fotos podem ser vistas aqui.

*******

Tivemos o último sarau no dia 4 de setembro, mas apenas hoje consigo tentar prestar contas deste sarau.

Primeiro sarau do mês de setembro, um calor fenomenal no Largo da Escadaria. Ao chegarmos de kombi - virei burguês mesmo...- havia algo de novo no ar. Acho que era porque fazia quase 15 dias que não tinha sol no Rio de Janeiro. A quadra na parte de baixo do Morro da Favela estava cheia: churrasco e música.

A escadaria estava tomada pelo esgoto de mais um rompimento de algum cano... O cheiro do lixo na enconta do Largo estava bastante forte - não havia falado, mas ao lado do Largo da Escadaria e da Igreja fica uma ribanceira que dá para o pátio de uma empresa de ônibus perto da Central do Brasil e é o local de desova do lixo caseiro da parte alta do Morro da Providência já que não há coleta de lixo acima da escadaria nem pelos já conhecidos garis comunitários. Esta é a grande questão ambiental dos moradores da Providência. E é lá que fazemos o sarau e o cineclube...

A garatoda estava pegando fogo! Pique-pega, futebol e bicicleta era o cenário. Mauricio Hora, do Favelarte, já estava montando o equipamento do cineclube e do sarau.

Nivea e Gabriella começaram a colocar o plástico e os livros sobre ele. Lindasy veio correndo para o colo da Gabriella. Pronto: menos uma para montar o espaço.

Mas, mesmo assim, desta vez fui tudo montado rapidamente - estamos ficando experientes...

Nivea mostrou uma enorme caixa de presentes que havíamos levado. As crianças estavam todas curiosas. Ela perguntou se alguém sabia o que era madrinha. Todas deram as mais confusas definições, mas deixaram claro que sabiam o que era. Então, ela disse que, após o último relato do Sarau Providencial de agosto, uma escritora muito boa e legal tinha adorado o nosso Sarau. E mais que isso: tinha doado mais de 20 livros para serem entregues a eles. Por isso a caixa de presentes!

Quem era esta escritora, perguntaram? Ela disse: nada mais, nada menos que Ana Maria Machado! Muitas crianças já a conheciam e falaram que já tinham visto livros dela no Sarau.

Sentou, as crianças sentaram em círculo e ela começou a contar a história de Ana Maria Machado. Depois abriu a caixa para mostrar a doação das obras completas da Ana Maria para eles. Mas, porque eles?
Ela tinha gostado muito das histórias sobre o Sarau Providencial e queria contribuir.

Em roda estavam e em roda ficaram. Começou o Sarau mais organizado de todos: os livros de poesia iam passando de mão em mão com todos lendo o mesmo livro. Eu, que estava filmando tudo, imaginei uma roda de griôs do outro lado do Atlântico.

Sarau terminado, hora de entregar os "presentes" da Madrinha Ana Maria Machado. E aí veio mais uma vez o imponderável: alguma criança sugeriu fazerem cartas de agradecimento para a Madrinha. Uma carta coletiva ou individual? Individual!

Corremos atrás de papeis, canetas e lapis. A alegria deles contrasta com a nossa angústia. Se estão num processo lento de aprendizado da leitura junto com os amigos, como seria a escrita? Como imaginávamos:
muito mais difícil que a leitura.

E agora, José? Como sairemos deste desafio? Daí meu silêncio até hoje.

Não sabemos ainda, pois não somos escola, nem nos propusemos a fazer reforço escolar: o que fazer? Nos preparamos para o improvável, não para o provável...

Editamos as cartas feitas por eles como os folclorista faziam com relação aos contos populares? Esta é coisa mais fácil que os detentores da cultura dita erudita faziam com relação à cultura popular. Temos que inovar...
Para terminar leio o bilhete que meu filho do alto dos seus 6 anos escreveu para Ana Maria Machado: Ana Maria você deve ganhar muito dinheiro por causa dos seus livros! Pois é, Pedro além de ainda não conhecer a dura vida dos escritores neste país, já está impregnado pela sociedade de consumo... Duro caminho pela frente, seja na Providência, seja em casa...

Mas é isto que faz o Sarau Providencial uma delícia: desafios sempre, gratificação de vê-los lendo aos poucos e conhecendo este fantástico mundo dentro das histórias.

Ah, neste sábado, termos o Cineclube Morro da Providência em parceria com o Festival de Cinema do Rio de Janeiro.

No Sarau leremos "O Fantástico Mistério de Feirunha" do Pedro Bandeira e, depois, passaremos "Xuxa em o Mistério de Feiurinha" como atividade do Festival no Morro da Favela.

E esta parceria vai possibilitar comprarmos a tão esperada Pipoqueira. Viva!

Beijos, João Guerreiro.

sábado, setembro 18

Fotos do Cineclube Morro da Providência

Edição do dia 4 de setembro do Cineclube Morro da Providência e Sarau Providencial.


Cineclube Morro da Providência e Sarau Providencial

quinta-feira, agosto 26

Meu sábado providencial

Postagem atualizada

No último sábado, 21 de agosto, aconteceu mais uma edição do Sarau Providencial e do Cineclube Morro da Providência. Segue relato de João Guerreiro, coordenador da Ação da Cidadania, e de seu filho, 12 anos, Miguel Mendes.

**************

Mais uma prestação de contas do Sarau Providencial. Como sempre é muito improvável, o relato não é curto, assim como as emoções que o sarau nos proporciona. Ao final de um "registro" do Miguel sobre sua participação (realmente não posso ter um twitter...rsrsrs):

Neste último sábado, 21 de agosto, tivemos uma nova edição do Sarau Providencial e Cineclube Morro da Providência.

Como sempre um sarau diferente. Desta vez fomos brindados com a presença de 9 adolescentes e crianças da Zona Sul, Centro e Zona Norte.

Os relatos sobre o Sarau e o Cineclube estão abrindo as portas do Morro da Favela para outro público. Foi uma experiência nova (e por conta desta novidade) ficamos apreensivos: será que a garotada vai ficar tímida com a vinda de um público "de fora"?

Ficamos felizes pelo interesse de todos, mas, no fundo dizíamos: hoje não vai rolar. Será que as crianças vão se sentir traídas, se sentirão como objetos de um safari turístico tão em voga em algumas favelas da cidade? Das nove crianças/adolescentes que foram, uma ou duas, no máximo, já tinha estado em uma favela. Alguns pais também foram e o total eram 16 "alemães" no sarau.

Nós e os nosso pré-conceitos! Desta vez subi depois de Nivea e Gabriella (as nossas "tocadoras de saraus" e voluntárias no projeto).

Fiquei no ponto da kombi para o Morro da Providência, na Central do Brasil, esperando as pessoas - mais uma vez Nivea e Gabriella não subiram de moto-taxi e tiveram o acompanhamento do meu pequeno Pedro na "bronca" de ter que ir de kombi).

Qual a minha surpresa - que bom, o Sarau sempre me surpreende! - ao chegar no Largo da Escadaria? Mais organizado do que nunca! Em 20 minutos com auxílio luxuoso de um técnico em eletrônica, Sr. Nelson, eu e Maurício Hora colocamos o som em ponto de bala. Mas, sempre dá um problema. Desta vez, o forte vento frio que se abateu sobre a Providência, nos fez desistir de utilizar o telão para o filme e resolvemos usar a frente da Igreja como local de projeção.

Mas, o que aconteceu no Sarau? Mais uma vez eles nos surpreenderam. A presença de "novos" participantes em nenhum momento deixou-os tímidos!

E, pela primeira vez, uma "proto-organização" ocorreu. Isto porque, segundo Nivea, o Sarau só virou realidade até aqui pela forma descontraída como começou:

- A oferta dos livros, a liberdade de escolha e, principalmente, a nossa não necessidade de ditarmos "as regras" de como seria o Sarau permitiu que eles se auto-organizassem e pudessem, dentro da diversidade cultural apresentada, escolher o que queriam ler e o que não queriam. Assim é a vida: algumas coisas nos interessam e vamos mais à fundo e outras, deixamos passar. Não dá para dar conta da totalidade.
Lindacy (lembram, era(?) uma das analfabetas funcionais) desta vez leu toda a sua poesia sozinha - a da Bailarina. ela nem fala mais bailairina). O Matheu também leu a poesia dele toda sozinho (outro que
era(?) analfabeto funcional) e ficaram todos felizes pois, após o versinho do Mário Quintana sobre a letra M, eles descobriram que tinham um M desenhado na mão. Gabriella começou o sarau com um rap do Gabriel, o Pensador, para mostrarmos que Rap é poesia.

Desde o primeiro sarau, temos Lindacy, Danilo (o noso principal ajudante apesar de ainda não saber ler - ainda porque prometeu à Gabi, a sua amada, que ele aprenderia a ler!), Taigo e Matheus.
Luzia que não leu no último Sarau, desta vez leu.

Dos nossos "alemãezinhos", Pedro e Miguel (meus filhotes) treinaram bastante antes de subirem a Provi.
Miguel (12 anos) leu Drummond e Pedro (6 anos), "A Zebra" do poeta português Sidônio Metralha. Felipe (10 anos) leu uma poeisa bem gaiata dizendo que ele era um gato e Lucas (15 anos) leu uma poesia para sua 'amiga'. Tatá (3 anos) não leu, mas se sentiu bem a vontade - como diria o inesquecível Jamelão: tava igual à pinto no lixo.

No total foram 16 crianças e jovens lendo poesia na noite fria do Morro da Favela.

Ao final, cada uma dela recebeu um livro infantil/juvenil de presente - doação de uma aluna do curso de Letras da UFRJ que não foi desta vez, mas prometeu ir participar daqui para frente.

Depois todos se sentaram ao chão para ver "Tempos Modernos" do Chaplin. Quando começou ouvimos: ih, é aquele cara engraçado que passou no outro sábado (passamos "O circo", lembram-se?). Muito chique a garatada da Provi já reconhecer Charles Chaplin... Será que isso se chama Formação de Plateia?

Ah, uma notícia boa: desta vez não tivemos fuzis desfilando pelo Largo da Escadaria durante o Sarau, nem durante o Cineclube. Que bom!

E após desarmarmos os equipamentos, pegamos a kombi e descemos a fria noite da Provi aquecidos pela felicidade de todos os participantes de mais um Sarau Providencial e Cineclube Morro da Providência.

DOE LIVRO INFANTIL !!!!

No dia seguinte, ainda impactado pela experiência vivida pela primeira vez no sábado (1º Sarau e pela segunda vez em uma favela) Miguel escreveu o seguinte texto:

"Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2010.

Meu sábado
Miguel Nobrega Mendes

O meu sábado foi bem diferente! Subi na primeira favela do Rio de Janeiro, que foi construída pelos soldados da Guerra de Canudos. Esta favela possui 167 degraus. E é chamada de Morro da Providência.

Junto com meu pai, que é coordenador da Ação da Cidadania, subimos e fomos ao evento “Sarau de Poesia”, que é para incentivar as crianças a lerem. Teve um filme do Charles Chaplin e todas a crianças que leram um poema no microfone ganharam um livro.

Eu li “O lutador” do Carlos Drummond de Andrade e ganhei “Luluzinha Teen”. Dei para uma amiga já que não gostei muito.

Vi três mirantes que possuem a vista de todo Centro da cidade, a Ponte Rio-Niteroi e a Baia de Guanabara. Também vi três policiais militares descendo o morro com uma arma chamada HK-47.

Eu achei uma ótima experiência participar de um evento que, apesar de não contar com muitas pessoas de fora, ajuda muitas pessoas de dentro que no futuro terão um emprego com dignidade e conseguirão tudo que é preciso para sustentar suas famílias."

quinta-feira, agosto 19

Sarau Providencial e Cineclube Morro da Providência


Cineclube Morro da Providência
Sábado, 21 de agosto às 19h
Abertura com o Sarau Providencial às 17h30
Largo da Igreja - fim das escadarias, ao lado da Casa Amarela

quarta-feira, agosto 18

Cancelamento do cineclube Ação da Cidadania com repercussão internacional

Saiu no Global Voices uma notícia sobre a consulta pública da nova Lei de Direitos Autorais. A matéria cita o cancelamento do Cineclube Ação da Cidadania pelo Ecad, que queria cobrar direitos autorais em uma exibição gratuita para jovens pobres.

Veja a notícia aqui.


O fato também foi relatado pelo jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no Jornal O Globo:

segunda-feira, agosto 2

Sarau Providencial e Cineclube Morro da Providência


Aconteceu sábado passado mais uma edição do Sarau Providencial e do Cineclube Morro da Providência, desta vez com o filme O Circo, de Charles Chaplin. Veja abaixo o depoimento do coordenador da Ação da Cidadania João Guerreiro, um dos organizadores do evento:

Conforme convite enviado, no último sábado (31/07) fizemos mais uma sessão do Cineclube e o Sarau Providencial.

Pela primeira vez este ano, ao invés de subirmos de mototáxi, descemos na Central do Brasil, passamos por dentro da gare (a Gabriella, que é voluntária do Sarau, nunca tinha ido à Central - é mineira, recém chegada ao RJ) e fomos para a Rua Senador Pompeu e, cheios de pompa, pegamos a kombi para o Largo do Morro da Providência.

Nivea e Gabriella protestaram - gostam de subir de moto, cabelos ao vento - mas, com o choque de ordem, é melhor subir de kombi. O trajeto mudou: na Providência agora tem até "mão" de subida e de descida. O choque de ordem me fez passar do transporte irregular individual para o coletivo.

Mas, vamos ao que interessa: chegamos à Providência por volta das 17h30 (atraso causado pela preparação do material do Sarau). Apenas uma criança no Largo da Escadaria e o Maurício Hora sozinho tentando montar os equipamentos.

As moças colocam o plástico no chão do Largo e espalham os livros. Em 5 minutos, começam a sair "levas" de crianças das vielas e em 10 minutos já são 21 crianças agarradas com os livros e com as "tias". Todo mundo quer ler, escolher a poesia a ser lida e o Sarau Providêncial fica improvável. Improvável porque Vinícius, Cecílias e Quintanas passam a ser disputados como doces de Cosme e Damião. Improvável porque a disputa é para ler! E o mais improvável ainda é que a grande maioria destas crianças não sabem ler! Apesar de todas estarem na escola, são analfabetas. Então porque disputar as Silvias \orthoff, as Ruths Rochas? Estamos todos procurando entender o porquê e, até agora, a melhor resposta é a razão do próprio sarau: o despojamento, a "naturalização" da leitura e do livro, a liberdade de interpretação e a atenção que as "tias" dão para essa criança. Ah, e nesta sociedade de espetáculo, poder ler no "nicrofone"!

Todo o programado foi superado pela "pororoca" das crianças afoitas para decorar a sua poesia (a maioria não sabe ler, como já disse).

- Por favor, não pise no Drumond, olha, cuidado com o Bandeira, não bate com o Ziraldo na cabeça do amiguinho...

A cena que não vi e o Maurício Hora não conseguiu registrar com sua câmara: dois bebês com menos de um ano engatinhando entre os livros (mãe, só não deixa eles babarem na Ana Maria Machado, tá?) um deles, senta, pega um livro e abre! Imitando o irmão mais velho inicia-se o hábito da leitura precoce? Parece-nos que sim. Mas, como mantê-lo?

Mais um enigma.

Das 21 crianças, 15 leram poesia. Algumas, várias poesias. Ah, já teve adolescente se chegando devagarzinho...

A menina "M" que no Sarau anterior estava com suas medeixas até a cintura e cheinha de piolho chega com seus cabelos curtos. Ela era a mais bagunceira no primeiro sarau. Desta vez era a mais concentrada.
Sabem o motivo? Então me digam.

Ufa! As "tias" já estão exaustas. Hora da surpresa: levamos livros infantis de casa (doação involuntária do Pedro e do Miguel) e sorteamos entre os que falaram poesia. Eram apenas 6 para 15 crianças. Foi o que deu para fazer.

Pronto! Hora do filme. "O Circo" do Chaplin é um sucesso absoluto. Não só entre as crianças, mas, também, entre os adultos que vão se chegando ao verem o Largo com as luzes apagadas e as crianças deitadas no que, antes, era o plastico de proteção dos livros e lugar de ficar sentado (?) lendo sua poesia.
Acabado o filme, aplausos. E todos perguntando: quem é o cara engraçado, ele tá vivo? Tem outro filme dele? Poesia e cinema: só faltou a pipoca desta vez...

Hora de ir embora. Desmonta tudo e guarda na Casa Amarela. Os policiais da UPP - que não perdem uma exibição do Cineclube inexplicavelmente portando fuzis na favela "pacificada" - antes de se dispersarem, perguntam: qual será o próximo dia? Me poupem, mas faz parte. Fuzil é fuzil, não importa na mão de quem está. Livro com fuzil? É, estamos no Morro da Providência...

Hora de descer. Cadê a kombi? Quem desce do Morro da Favela às 22 horas de kombi? E eu que pensei que ia dar uma de bom burguês e pegar um transporte coletivo irregular.

Até a próxima.

quarta-feira, junho 23

Reforma da Lei de Direitos Autorais

Amigos,

Repassem a mensagem para seus contatos. Entramos na briga.


Prezada(o)s,

É com enorme desgosto que estamos cancelando o lançamento do Cineclube Ação da Cidadania. Na verdade, tratava-se do lançamento no novo formato visto que fomos contemplados, através de Edital Público, no Projeto Cine Mais Cultura do Ministério da Cultura, com o kit Telão, Projetor, Caixa e Mesa de Som, e filmes disponibilizados pela Programadora Brasil ("um programa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, desenvolvido por meio da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv)").

Trata-se, portanto, de um projeto de convergência entre políticas públicas de formação e disponibilização obras NACIONAIS para formação de público crítico e que permite a difusão de culturas diversificas ladeado com segmentos da sociedade civil que tem o mesmo objetivo - caso da Ação da Cidadania.

Entretanto, fomos surpreendidos hoje pela manhã, com um telefonema do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, uma sociedade civil, de natureza privada) informando que seria cobrado uma taxa de direitos autorais pela exibição. A exibição seria gratuita, o público alunos das escolas públicas da rede municipal do entorno do Centro Cultural Ação da Cidadania e jovens do Morro da Providência. A exibição seria feita por dois voluntários da Ação da Cidadania, o espaço (reformado para o Cine Mais Cultura com recursos de nossa entidade) e a eletricidade seriam nossa contrapartida. Nada disso comoveu o ECAD.

Assim, tivemos, dolorosamente, que cancelar o Cineclube, nos desculparmos com a Profª. Adriana Faccina e com o MC Leo (debatedores que viriam com seus próprios recursos ao CCAC) e pedir desculpas às crianças e aos jovens do Morro da Providência.

Gostaríamos, também, de nos desculparmos com você que por ventura esteja à caminho.

O que faremos daqui para frente? Ainda não sabemos. Esperamos apenas que exista bom senso entre o legal e o justo. Pois, entre os dois estamos, como sempre estivemos, com os milhões de
excluídos socioculturais deste imenso Brasil.

João Guerreiro
Coordenador de Ações Culturais

segunda-feira, junho 21

Sarau Providencial

Segue relato de João Guerreiro, coordenador do Centro Cultural Ação da Cidadania, sobre o Sarau Providencial realizado no Morro da Providência:
************

Como havia informado, sábado último iniciamos o Sarau de poesia infantil no Morro da Providência (Sarau Providencial) antes do Cineclube.

Sábado, céu límpido e muito frio. Acordo no meio do jogo da Argentina e Nigéria e a febre já tinha tomado conta de mim. Antes de pensar, falo: o cineclube rola, mas o Sarau Providencial não. O cineclube já tem vida própria e não precisa mais da minha presença para acontecer - vou porque gosto. Já o Sarau é a primeira vez e quem vai animá-lo são duas voluntárias amantes do livro (Nivea e Gabriella).

Resolvido: Gabriella liga e Nivea avisa que estou com febre e sozinha não topa fazer o Sarau. Gabriella, que havia ficado na 6ª feira à noite fazendo uma arca de papelão para utilizá-la na poesia Arca de Noé, fica desanimada, pergunta se não dá para eu tomar um antitérmico etc. Não rola. Tô fora. Ela fica triste, mas entende.

Tudo bem, são 15 horas, me levanto, tomo um banho e peço para Nivea ligar para Gabriella. Vamos subir o Morro da Favela. A outra quase surta, diz que está pronta e vai para o CCAC acabar de "ensaiar" suas poesias.

Chego na Providência às 17:30h. As duas subiram antes de moto-taxi e quando "venço" a escadaria, lá estão as duas sentadas sob um grande plastico transparente no chão, uma dúzia de crianças em volta e o povo montando a exibição do cineclube.

Crianças de todas as idades; a magia do livro já estava habitando aqueles pequenos seres. Em pouco tempo, os livros de poesia sumiram do chão e já estavam nas mãos das crianças. Cada qual ao seu jeito começa a "decorar" suas poesias com ajuda de Nivea e Gabriella. Impressionante 9 crianças se dispoem a irem ao microfone "ler" e interpretar suas poesias prediletas. 

Nada é simples: a ligação elétrica para o microfone dá problema. Demora 25 minutos para ficar pronta. As crianças, Nivea e Gabriella estão indóceis. Tudo pronto! O microfone está quebrado... Vamos fazer no gogó, digo. As crianças me vaiam... Um dos meninos diz que tem microfone em casa. Lá vai o Maurício Hora no pequeno casebre no Mirante e traz o microfone. Palmas e vamos ao Sarau:

A desinibição inicial é substituida pelo receio. Quem começa? Eu não... E aí começamos: das 9 crianças que se apresentam, TODAS não sabem ler corretamente. É, todos estão na escola e todos são analfabetos funcionais. Mas, uma muralha foi transposta: eles decoraram as poesias, esqueceram, mas "leram" com ajuda da Gabriella e Nivea, suas poesias escolhidas! Uma questão: duvido que na sala de aula eles demonstrem suas fraquezas relacionadas à leitura. Pagar mico, não dá!

Então, porque se dispuseram a se expor no Largo da Igreja? Não sei. Só tenho palpites por enquanto. Por tudo, o Sarau Providencial foi um sucesso! O próximo encontro vai ser mais complicado, sei. O segundo não pode ser igual ao primeiro. Mas tem que ser como? O sonho? Daqui a um determinado período (que só eles vão dizer quando) fazermos uma apresentação do Sarau Providencial no CCAC para eles, para seus familiares, para nós e para vocês.

Dia 26 tem de novo. Vou mesmo se estiver com febre. É imperdível, impensável, emocionante, desafiador!
A fala da Gabriella retrata bem o que sentimos: "Oi, achei muito bom porque as crianças desenvolveram uma reação de não obrigação com o livro, diferente daquela da escola e descobriram o prazer da leitura. Me surpreendi com a interação deles, aprendendo, ensinando... Acredito realmente que podemos fazer a diferença. Elas aprendem a cuidar, dividir, aprender a aprender e a ensinar também. Acho que Sarau Providencial está ótimo, Precisamos providenciar esperança, aprendizado, futuro."

Acho que o Nelson Maka, do Sarau Bem Legal, que assistimos em Salvador ia gostar...

quarta-feira, junho 9

Cineclube Morro da Providência

quarta-feira, maio 5

Cineclube Morro da Providência

sexta-feira, abril 30

Cineclube Morro da Providência

Visitem o álbum de fotos da inauguração do Cineclube Morro da Providência, uma parceria da Ação da Cidadania, Favelarte e do Ministério da Cultura, através do programa Cine Mais Cultura:

Cineclube Morro do Providência

quinta-feira, abril 29

Mostra Cine Índio Brasil

Clique na imagem para ampliar

segunda-feira, abril 26

Cineclube Providência

Mais de 100 pessoas compareceram à primeira sessão do cineclube Providência, uma parceria da Ação da Cidadania, FavelArte e o Ministério da Cultura.

Foi exibido o filme O Assalto ao Trem Pagador, além de dois curtas.

Mais de 70% das crianças presentes na exibição nunca foram a um cinema.