segunda-feira, julho 12

O Comitê Tinguá da Ação da Cidadania pede ajuda


Nilma Rocha tem 25 anos e disseram que sua mãe morreu quando tinha quatro. Também disseram que seu pai a levou para Tinguá aos cinco, onde mora até hoje. Boa parte da sua infância ela conhece na base do “disseram”, relatos de parentes e conhecidos que dividiram a responsabilidade de sua criação.

Assim como sua irmã de criação, com quem mora, está desempregada. A renda de todos da casa vem da pensão que sua irmã recebe de um de seus filhos, insuficiente para alimentar tantas bocas. Ao final da entrevista, pediu dinheiro para dar café da manhã a sua prole, que nada tinha comido naquele dia.

Não são apenas estas características que a aproxima de milhões de outras jovens brasileiras. Mora em um lugar de difícil acesso, a dois quilômetros de onde passam os ônibus. A caminhada para lá é longa, por isso contam-se, aqueles que podem, com bicicletas ou carroças. Em dia de chuva as ruas tornam-se barreiras difíceis de serem atravessadas.

Nilma não tem perspectivas de melhora no seu futuro. Aos 25 anos, já não possui motivação que a faça voltar a estudar ou buscar um emprego. A desculpa para isso é a falta de alguém para cuidar de seus filhos. Caso conseguisse alguém, acharia outro motivo para continuar na mesma condição, pensando como seu futuro apenas a próxima refeição.

Na mesma comunidade, a aproximadamente três quilômetros, Paula Ramalho realiza um trabalho com crianças. Atividades lúdicas durante a infância são capazes de criar adultos que não aceitarão a miséria como única alternativa.

A cada 15 dias, Paula reúne diversas crianças para contar e criar histórias, estimulando o sonho e acreditando que um futuro diferente é possível.

É desta forma que os Espaços de Leitura contribuem para a erradicação da miséria no Brasil, dando perspectivas para que crianças e adultos enxerguem e lutem por melhores condições de vida. Que saibam que a pobreza é criação do homem, e não uma condição imutável que separa os “escolhidos” do resto da população. Que tenham ciência que só através da educação e de uma postura ativa frente ao mundo em que vivem são capazes de criar uma nação justa para todos.

Assim impediremos que novas e antigas Nilmas continuem surgindo.

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Apesar disso, não podemos deixar a Nilma a sua própria sorte. O coordenador Carlos Alberto, do comitê Tinguá, quer construir uma moradia digna para ela. Se você pode ajudar com material de construção ou de qualquer outra forma, entre em contato com ele:

Carlos Alberto de Campos – Nonô de Tinguá
Rua E, 26 – Tinguá – 2779-4683 / 9875-8971

Por Norton Tavares - Junho/2010

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