terça-feira, junho 8

A importância do incentivo à leitura

Entrevista realizada pelo estudante de Letras, Djalma Lima, à Pedagoga da Ação da Cidadania Ana Paula Pinto de Souza.

P: Na sua opinião, como se dá formação do leitor?
R: Na minha opinião o interesse pela leitura começa muito cedo e se dá pelo estímulo que a criança recebe em casa. Mas é preciso estar atento a como se realiza este estímulo que, às vezes, produz efeito contrário.

P: Como se deu a sua formação de leitor?
R: Meu interesse surgiu logo que fui alfabetizada a partir do que via em casa. Meu pai todo Domingo sentava no sofá para ler o jornal e me dava o caderno infantil, eu sentava ao lado dele e ficava lendo os quadrinhos. Era muito agradável estar sentindo a presença do meu pai ao meu lado, já que durante a semana era tão difícil vê-lo. Isso é fundamental, a atividade de leitura era gravada em mim associada a agradável sensação de estar com alguém querido.
É importante associar as atividades de incentivo à leitura com registros agradáveis.

P: Como você vê a leitura nas escolas e na sociedade?
R: Hoje infelizmente é pouco estimulada tanto em casa quanto na escola. As famílias estão inseridas na dinâmica louca do dia a dia pela sobrevivência. Uma sociedade onde para ter o mínimo é preciso fazer o máximo. E nas escolas tudo é muito sério e pouco estimulante para as crianças desta sociedade que é tão cheia de estímulos musicais, visuais e tecnológicos, a escola fica chata e não se investe na aprendizagem lúdica e participativa.

P: Como estimular crianças e jovens a terem mais interesses pela leitura?
R: Desenvolvendo atividades lúdicas e participativas. Ler não pode ser obrigação, castigo ou fazer a criança ler um livro que será tema de prova. Assim a leitura passa a ser associada a climas ou registros internos de cobrança, imposição, tensão, ou seja, negativos.

P: Você acha que a leitura pode modificar a vida de alguém?
R: Muito, o hábito da leitura ajuda a construir conceitos de valores, opiniões, atitudes, influenciando sua ação no mundo.

P: Na sua opinião, quais são os maiores obstáculos para popularização da leitura no país?
R: Acredito que a maior dificuldade seja a direção em que está a educação, tanto na escola quanto na família. Há um problema no que se está buscando com esta educação. Buscam-se respostas imediatas, se vive um momento de apagar incêndios, onde fica difícil fazer reflexões sobre a construção do futuro. As propostas de mudança e transformação são vistas como dificuldades e o estabelecido mesmo que não funcione é visto como normalidade, como algo natural.

P: É possível mudar esta situação?
R: Claro, existem muitas pessoas preocupadas com este tema, querendo fazer alguma coisa, não precisamos convencer ninguém de que a leitura é importante e precisa ser estimulada. O que precisamos é unir os interessados nesta direção.

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